terça-feira, 20 de outubro de 2009

A INFLUÊNCIA E O SIGNIFICADO DAS TATUAGENS NOS PRESOS



20.10.2009  |  12º LH-A  | Pesquisado por Marcelo Félix

FONTE
http://www.depen.pr.gov.br/arquivos/File/monografia_cezinando.pdf

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RESUMO

Sabe-se que a arte milenar das tatuagens invadiu também o interior das penitenciárias do mundo inteiro, o que chamou a atenção de estudiosos, ocorrendo novas pesquisas, novos estudos, os quais continuam sendo realizados visando à análise de determinadas marcas que são feitas no interior das prisões.

Para o profissional da área de segurança e em especial para aqueles que atuam no interior das Penitenciárias, visando uma possível classificação dos presos, segundo seus antecedentes e personalidade, para orientação à individualização da execução penal, faz -se necessário o conhecimento e o entendimento das linguagens utilizadas pelos presos no interior dos presídios, muitas vezes codificadas, sejam por sinais, palavras ou marcas, como por exemplo, as tatuagens, marcas estas que revelam a personalidade do criminoso, como também muitas vezes demonstra o delito de quem a possui, servindo como código, que manda recados.



1 INTRODUÇÃO

A classificação do condenado é requisito fundamental para dar início a execução científica das penas privativas de liberdade, o primeiro passo para o tratamento penitenciário, a primeira fase de conhecimento do indivíduo preso no Sistema Penitenciário. Em função disso, a importância do conhecimento por parte dos profissionais que atuam direta ou indiretamente com os presos como também sobre o significado das tatuagens no submundo do crime é fundamental, pois trata de uma linguagem codificada, onde se traduz em sinais de poder, comando, subordinação, tipos de crimes, enfim, prática bastante comum em todo o mundo entre os marginais, onde possuem diversos significados.

Importante, como o conhecimento social do preso, do exame clínico, psiquiátrico, psicológico, enfim, dos dados para obtenção dos elementos necessários a uma adequada classificação e com vistas à individualização da execução, o conhecimento da linguagem e forma de comunicação através das “tatuagens criminais”. O estudo minucioso dos signos diversos adotados, nos mostra um cunho todo especial, por suas tatuagens, seja por espírito violento, vi ngativo, arrastado a atos de desespero, outros indícios fornecidos pela região do corpo onde é traçado.

Observou-se, entretanto, que tais códigos, são considerados secretos e quase nenhum detento se presta a revelá-los, motivo pelo qual esta pesquisa científica foi desenvolvida, visando colaborar com a execução da política penitenciária e melhor exercício das funções do servidor penitenciário, contribuindo na segurança da Unidade, na reeducação do preso, em sua ressocialização e conseqüentemente, para a promoção do bem estar para a sociedade.

Desde os primórdios dos tempos, o homem tem a necessidade de marcar seu corpo, recorrendo a simples pinturas temporárias, ou a tatuagens de caráter permanente. Na antiga Grécia, a tatuagem já era utilizada, assim como nas diversas populações bárbaras, sobretudo para distinguir as chefias. Na verdade, sempre tiveram algum significado para os diversos povos que habitavam o planeta.

Verificou-se que algumas múmias egípcias exibiam marcas azuis de tatuagens no século 14 antes de Cristo.

Marcas de tatuagem eram consideradas como sinais de beleza e havia a crença de que as tatuagens proporcionavam proteção contra doenças e má sorte, além da hierarquia e a posição social de uma pessoa em seu grupo.

As motivações que levam uma pessoa a se tatuar são quase infinitas, como exemplo os Índios de vários países costumam se pintar para assinalar classificações de status entre os membros da tribo.

Acreditava-se que a impressão definitiva de desenhos na pele tinha propriedades mágicas. Um dos primeiros registros literários da tatuagem, data do ano de 1769 e dá conta que os nativos usavam espinhas de peixe finíssimas, ou ossos de pássaros, para perfurar a pele e injetar um pigmento feito à base de carvão e ferrugem, surgindo também, nessa época, a palavra tatoo, versão para o inglês do taitiano tatu, que significa, “adivinhe, desenho na pele”.

Ao longo da história as tatuagens também têm sido frequentemente associadas à punição e a comportamentos marginais.

Os bretões, povo bárbaro que habitava a região da atual Grã-Bretanha, pintavam o rosto com várias cores para intimidar invasores. No Império Romano, os escravos eram tatuados. Na França do século XVIII, criminosos ganhavam uma pintura na pele muitas vezes uma marca com ferro quente. Prostitutas, piratas e marinheiros também se tatuam há séculos, como sinal de valentia e também para demarcar seus grupos sociais. Comum, era as prostitutas levarem uma marca de seus cafetões, onde tinha como significado um atestado de propriedade.

Em presídios do mundo inteiro, os próprios detentos se tatuam para diferenciar a facção à qual pertencem e alguns grupos marginais utilizam a tatuagem como código, como por exemplo, os mafiosos japoneses da Yakuza, que tatuam grande parte do corpo como prova de coragem e de fidelidade à gangue.

O Japão desenvolveu a tradicional arte de tatuar o corpo através de um dos mais antigos e dolorosos processos de execução, onde o tatuador usava uma lasca de bambu e com tinta, perfurava a pele até a derme, ou seja, até a segunda camada de pele.

Caveiras e dragões alados sempre freqüentaram as prisões, símbolos de status ou de preconceito. Até mesmo dentro das celas as tatuagens feitas no corpo dos detentos contam histórias de crime e de castigo.

Em diversos segmentos da sociedade, uma tatuagem é associada a alguma tribo, como também representa o tipo da personalidade do indivíduo, e através dos estilos é possível perceber o comportamento de certas pessoas em relação à sociedade.

Em muitos casos a tatuagem é uma atitude que funciona como auto-identificação, servindo como uma bandeira que simboliza adesão a um determinado grupo social, como uma vestimenta específica, pois se uma pessoa tatua uma suástica, símbolo do nazismo de Hitler, é óbvio que ela possui alguma simpatia por movimentos antisemita.

O signo da anarquia é adotado por punks; as caveiras por “metaleiros” e demônios por “anticristãos”.



2 A TATUAGEM ENTRE OS CRIMINOSOS

Para LOMBROSO, o delinqüente é um ser dotado de especificidade. Como características próprias, a filosofia lombrosiana, entretanto, encerrou, ao longo dos tempos, enormes polêmicas científicas, porém daquelas que permanecem.

A tatuagem, antes, mais de psicologia do que anatomia, os criminosos tatuam-se, ordinariamente, depois que entram para o cárcere. A razão, a vista curta do preconceito não pode entender. Vem dos longos ócios; do tédio das prisões sem trabalho, em sua maioria, que se entretêm, estampando uns nos outros tais figuras, com os quais, por intuição, por saudade, pela privação das afeições, pelas crenças de proteções mágicas, enfim, pela identificação entre um determinado meio, sendo através da tatuagem que os criminosos possuem meios preciosos de identificação e testemunhos da psicologia de seus portadores, sendo nesta categoria afeta um caráter todo particular e muito difundido.



2.1 CARACTERÍSTICAS DAS TATUAGENS CRIMINAIS

O estudo dos signos diversos adotados no interior das penitenciárias, nos mostra não apenas que têm, às vezes, uma estranha freqüência, mas que ainda apresentam um cunho todo especial, sendo um símbolo que demonstra um espírito violento, vingativo, de poder e atos de desespero.

Após as monografias de LACASSAGNE, vê-se que, em 111 tatuagens de criminosos, 51 traziam a característica do crime. Tem-se em conta certas fórmulas, provérbios, ou datas comemorativas da condenação (um preso alternou as datas sucessivas de três conselhos de guerra que o haviam condenado; outro desenhou um coração tendo ao centro a data em que fora condenado) em outros casos, revolta, vingança, alusões obscenas ou criminosas.

Os criminosos de Nápoles têm o hábito de se tatuarem com inscrições, mas as palavras são substituídas por iniciais, e muitos presidiários portam a tatuagem que representa uma grade atrás da qual está um prisioneiro e, abaixo, as iniciais (Q.F.Q.P.M.), ou seja, "Quano finiranno queste pene? Mai!”3 Estes são exemplos de uma espécie de escrita hieroglífica sem regras fixas. Deriva de cotidianos e da gíria, tal como deveria ser entre os homens primitivos.

Outros indícios, referentes à personalidade e formas de comunicação são as formas ou a região do corpo onde é traçado, prova flagrante do fato de que a tatuagem contém verdadeiros hieróglifos sob sua escrita, dizendo mais do que cada memorial histórico dos crimes cometidos, da periculosidade e de sua personalidade. Demonstram que certas tatuagens são empregadas por associações criminosas e que são um sinal de reunião.



2.2 IDENTIFICAÇÃO

Na Baviera e no Sul da Alemanha, os ladrões a la tire reúnem-se em verdadeiras associações e se reconhecem entre si por uma tatuagem epigráfica: T. und L - quer dizer, Thal und Land, palavras que devem trocar a meia voz quando se encontram; sem isso, eles se denunciariam eles mesmos à polícia.

Na França, segundo revelações e estudos, 5 pontos ou 5 linhas sobre a mão direita, sinalam o primeiro grau de uma perigosa associação; 10 pontos ou 10 linhas, seria o segundo grau.

Fatos demonstram pois, como o conhecimento dos significados das tatuagens pode pôr vistas às facções criminosas, assim como líderes portam sinais particulares.

Lacassagne, em seus estudos obteve dados interessantes, relativos aos segredos das marcas nas prisões, onde indicam a obrigação, pelo devedor, de servir por um tempo seu credor.



2.3 PRECONCEITO

Muitas pessoas tatuadas costumam sofrer preconceito. Isso se deve principalmente às tatuagens que estampam, nos presidiários, crimes, hierarquias de organizações criminosas. Nos presídios, as tatuagens vão muito além do puro prazer da estética.

Estima-se que hoje, na população carcerária de 30% a 35% dos presos do sexo masculino tenham algum tipo de desenho estampado no corpo demonstrando, através de códigos, um dos segredos da prisão, que vem a ser quem é o dono daquela marca, qual é a especialidade do preso no mundo do crime.



2.4 TÉCNICA PARA TATUAR

Foram encontradas tatuagens em múmias egípcias de aproximadamente 2000 a.C. e o uso delas entre trácios, gregos, gauleses, povos germânicos e bretões é mencionado por autores clássicos. Os romanos tatuavam criminosos e escravos e após o advento do cristianismo, a tatuagem foi proibida na Europa, persistindo no Oriente Médio e em outras partes do mundo.

Na América, muitas tribos indígenas tatuavam habitualmente o corpo e o rosto, sendo que a técnica mais empregada era a simples arranhadura. Outras tribos da Califórnia introduziam cor nos arranhões, enquanto grupos das regiões árticas, parte dos esquimós, povos da Sibéria faziam perfurações subcutâneas com agulha, através das quais passavam um fio revestido de pigmento, geralmente fuligem.

Na Nova Zelândia, trocavam-se no rosto sulcos rasos e coloridos, de complicados desenhos curvilíneos, mediante o emprego de um diminuto instrumento de osso. No Japão, agulhas presas a cabos de madeira são utilizadas para tatuar desenhos multicores elaboradíssimos, que cobrem grande parte da superfície corporal.

A tatuagem era também executada com um instrumento de bronze semelhante a uma pena, de ponta fendida e com um peso na extremidade superior. Às vezes esfregava-se pigmento em cortes de faca, como por exemplo na Tunísia, entre os Ainos do Japão, os Ibos da Nigéria e os Índios Chantal do México; ou ainda a perfuração da pele com espinhos, como fazem os Índios Pima, do Arizona, e os Senoi, da Malásia.

A palavra tatuagem é de origem taitina e foi registrada pela primeira vez por ocasião da expedição do navegador inglês James Cook ao Taiti, em 1769. Com o estímulo de exemplos polinésios e japoneses, multiplicaram-se por cidades portuárias de todo o mundo salões de tatuagem, onde tatuadores aplicavam desenhos na pele de marinheiros europeus e americanos.

No século XIX, ex-presidiários americanos e desertores do exército britânico eram identificados por tatuagens, e mais tarde os internados em prisões siberianas e em campos de concentração nazistas foram também marcados assim.

O primeiro instrumento elétrico para tatuagem foi patenteado em 1891 nos Estados Unidos.

Os tatuadores fazem uso de nanquim e de vermelhão; o carvão de madeira moído e diluído em água, a tinta azul, como também do azul da Prússia ou do azul de lavanderia, para marcar o desenho, emprega-se agulhas muito finas, inserindo obliquamente a uma profundidade de 2 a 3 milímetros, com término, a superfície era lavada com água, saliva ou urina.



2.5 TÉCNICAS DE PINTAR O CORPO À MODA ANTIGA

Ainda em outras regiões do Japão e da Polinésia existem tatuadores que furam a pele do cliente com varetas de bambu cheias de tinta na ponta de metal, a aplicação é feita ao ar livre, sem os devidos cuidados para evitar contaminações.

Era comum fazer cortes terapêuticos na pele com um pedaço triangular de cuia, dentes de traíra ou unhas de roedores. O ferimento era esfregado com um osso cheio de barro, fuligem ou suco de frutas. Exibindo suas marcas com muito orgulho, manifestando estéticamente seu meio social.



2.6 NOS PRESÍDIOS

Em presídios do mundo inteiro, os próprios detentos se tatuam para diferenciar a facção à qual pertencem. Antigamente, era a própria polícia que os tatuava. Na Inglaterra, cravavam-se as iniciais “BC” – Bad Character, mau caráter em inglês - na pele dos condenados. “Ao longo do tempo, a tatuagem acabou virando a marca dos marginais, diferentes do resto da sociedade”, diz Mirela Berger, mestre em Antropologia pela Universidade de São Paulo.

Atualmente, alguns grupos marginais ainda utilizam a tatuagem com código,

como os mafiosos japoneses da Yakuza, que tatuam parte do corpo como prova de coragem e de fidelidade à gangue.

Nas Penitenciárias as tatuagens não são feitas para enfeitar ninguém, elas contam histórias, se comunicam e mantém distâncias, mostram quem é o preso, o crime que praticou e o que se deve sentir por eles, seja medo ou desprezo. Entre o emaranhado de declarações de amor, iniciais de nomes riscados na pele, seja com objetos pontiagudos como clipes, pregos, arames, e outros.

Desenhos cravados na pele, muitas vezes, são uma forma de estigmatizar o preso. Assumir para sempre, na própria pele, algo que é visto com desconfiança e algum temor pela sociedade, não deixando de significar, em outras formas, do preso demonstrar uma coragem que é respeitada nas prisões, servindo para marcar aqueles que devem ser desprezados.

Os crimes contra os costumes, em relação aos presos por estupro, são punidos com tatuagens feitas à força. Os homossexuais são ridicularizados com pintas no rosto, feito com uma agulha embebida em tinta tóxica usada para pintar paredes, informando aos demais presos através desta marca que o estuprador achou um "marido" na cadeia. Com a ponta da agulha, a tinta é posta embaixo da pele, num processo forçado e doloroso. Desta forma por onde estiver, o tatuado será reconhecido, passando a ser tratado pelos outros como homossexual de forma passiva. Os materiais utilizados nessas ocasiões, conforme citado anteriormente são rústicos, como pregos, arames e até ponta de canetas.

As imagens delatam traços da personalidade do criminoso, cada uma possui um significado específico. Só quem vive no presídio ou no meio marginal flagra as informações fornecidas pelas tatuagens, que mostram quais as especialidades do preso no mundo do crime.

Constatou-se ser uma forma de comunicação entre os presos, as imagens e seus significados, desde uma ode à amada (figura de uma mulher acompanhada do nome), passando pela religião (imagem de Nossa Senhora) até a identificação do crime (caveira apunhalada), ou ainda, (um pênis tatuado à força nas costas ou nas nádegas do presidiário que cometeu um estupro), ou ainda (uma pinta marcada no rosto), marca muito usada nos meios prisionais atualmente.



2.7 AS MARCAS DO CRIMINOSO

Entre o emaranhado de riscos codificados na pele, segredos que os presidiários não gostam de falar abertamente, mantendo a lei do silêncio, pois não falam sobre os eventos que inspiram os desenhos, constata-se os seguintes significados dos símbolos, das tatuagens, ou sejam, o desenho de uma estrela de cinco pontas indica o autor de homicídios; três sepulturas significa que o proprietário desta marca tem o corpo fechado e guarda segredos como um túmulo; traidores e delatores recebem o desenho de uma serpente; a imagem de uma santa possui dois significados importantes, indica o crime de latrocínio praticado pelo possuidor, ou ainda, o arrependimento do crime praticado; um desenho de cruz nas costas é o símbolo do bandido que mata, se vinga; os assassinos de policiais gostam de marcar a pele com uma caveira trespassada por um punhal, normalmente disfarçada entre outros signos; a pistola na perna traduz ser o possuidor um latrocida; uma borboleta indica um indivíduo que não aceita ficar preso, sempre tentará a busca da liberdade, como também pode indicar sua opção sexual, a homossexualidade.



2.8 REGISTRO NAS MÃOS

Observa-se que nas próprias mãos são usados símbolos que se comunicam indicando não só o tipo de crime, mas também datas que não desejam esquecer, como por exemplo, a data em que morreram os companheiros de cela; uma teia de aranha informa que seus cúmplices foram mortos; uma cruz com duas velas acesas, é um aviso aos colegas do cárcere, que o dono desta marca é um indivíduo de alta periculosidade; já um minúsculo número 12 na mão esquerda, ou ainda, uma folha de maconha estilizada, no dorso da mesma mão, refere-se estar ligado ao tráfico de drogas; uma sereia na perna direita, é o estigma dos condenados por crimes contra os costumes.

Como se fossem insígnias de militares, quanto maior o número de pontos, mais alta a “patente” do criminoso, sendo assim: um ponto, normalmente na mão direita indica ser o indivíduo um batedor de carteira; dois pontos na mão indica ser um estuprador; três pontos, em forma de triângulo, significa estar envolvido com o crime de tóxicos; quatro pontos formando um quadrado, informa que o indivíduo pratica o crime de furto; já cinco pontos identifica ser um praticante do crime de roubo com violência; um ponto em cada extremidade de uma estrela, significa que o possuidor desta tatuagem pratica crimes de homicídio, e ainda, vários pontos formando um “x”, indicam que o possuidor é chefe de quadrilha ou líder de determinada facção criminosa.

Constata-se também, a existência de desenhos com imagens religiosas, como por exemplo, o rosto de Jesus Cristo, quando desenhado no peito, identificam presos que praticaram o crime de latrocínio; uma cruz com o crânio humano, tatuado no meio das costas, identifica que o indivíduo possui um comportamento da lealdade a seus colegas de cela, possuindo o significado de que é uma pessoa que sabe guardar segredos e que o grupo pode confiar naquele indivíduo; quando possui uma cruz com duas velas acesas na base, normalmente em tamanho grande nas costas, identifica ser um elemento de alta periculosidade; quando em tamanho pequeno possui uma cruz iluminada, significa o pedido de proteção constante; o tatuado com imagem do diabo, demonstra ser um matador, usada por quem tem o prazer de conviver com a morte; a imagem de Nossa Senhora Aparecida no peito ou nas costas em tamanho maior e no meio das costas identifica que a pessoa foi violentada durante o período em que esteve preso, significando a marca para um estuprador.

A figura de uma borboleta, demonstra o anseio de liberdade, o possuidor deste desenho é um praticante de fugas, não admite ficar muito tempo preso, é um fugitivo nato, porém dependendo da região do corpo onde está pintada a tatuagem, indica ser um homossexual.

O desenho de uma serpente no braço, informa que o possuidor desta tatuagem faz qualquer tipo de negociação para livrar-se da prisão, não é uma pessoa confiável. Trata-se de um indivíduo traiçoeiro; a forma de um cadeado, de um molho de chaves é a forma que os presos têm de manifestar-se que tem sido perseguidos constantemente no interior das penitenciárias, uma forma usada para pedir apoio e auxílio; a figura de um barco ou de uma caravela, ao lado do coração, significa vontade de liberdade, o anseio de ficar livre.

Outra tatuagem muito usada no meio marginal é a forma de um punhal, ou de uma faca isolada, onde o detentor desta marca vem a ser um indivíduo corajoso, valente e aceita enfrentar todo tipo de perigo.



ANEXO I – QUESTIONÁRIO APLICADO AOS EGRESSOS DO SISTEMA PENITENCIÁRIO

DATA -------/---------/--------

Nome: -------------------------------------------(somente o primeiro nome)

Apelido: -------------------------------------------------------------

Sexo: F . M . Idade: -----------------

Possui tatuagens no corpo? Sim . Não .

-Qual o desenho tatuado, e em que parte do corpo foi desenhada? -------------------------------------------------------------------------
São coloridas? Sim  Não 

-Com que idade fez a sua primeira tatuagem? ------------------------------------------------------------------------------------------

-Foi feita por quem? -----------------------------------------------------------------

-Qual o significado dela (s) para você? -----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

-Sabe o significado da(s) suas tatuagens para a sociedade ? Sim  Não 

-Se pudesse você retiraria? Sim  Não 

Porque? ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

-Quando foi feita sua tatuagem: Antes de ser preso ? Sim  Não 

Enquanto estava preso? Sim  Não 

Depois de sair da prisão? Sim  Não 

-Porque você fez a(s) tatuagem(s) ? -----------------------------------------------------------------------------------------------------------------

-Deseja fazer mais alguma tatuagem? Sim  Não  Porque? ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

-Já foi discriminado por possuir tatuagens? Sim  Não 

-Você tem algum conhecimento se no interior das Penitenciárias existe algum significado sobre as tatuagens nos presidiários?

Não  Sim  Qual é o significado? ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Observações do entrevistador : -----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

4 comentários:

  1. Muito bom o post. Depois dê uma olhada no meu blog, preparei um post com fotos de tatuagens de presidiários.

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  2. eu tenho um palhaço desenhado no meu braço e acho que não e apenas um desenho que pode julgar a pessoa do que ela e eu desenhei esse palhaço porque gostei do desenho

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  3. no Pará tatuar um palhaço, semelhante ao coringa, significa MATADOR DE POLICIAIS!, NÃO TATUEM NADA PARECIDO.

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